Compra e Manutenção de Aparelhos de Pilates (Reformer, Cadillac): Como Gerar Créditos de IBS/CBS

Os aparelhos de pilates estão entre os maiores investimentos de um studio ou de uma clínica de fisioterapia. Com a reforma tributária, a compra de um Reformer ou de um Cadillac pode gerar crédito de IBS e CBS. Porém, o crédito depende do regime, do fornecedor e da nota. Por isso, vale planejar a compra antes de assinar o pedido.

Neste guia, você entende como funciona o crédito na compra e na manutenção dos equipamentos. Também confere três exemplos numéricos, os erros mais comuns e um plano em cinco passos.

Por que os aparelhos de pilates entram no centro da conta

Um studio de bom porte reúne vários Reformers, um Cadillac, cadeiras e barris. Além disso, cada peça custa caro, e a lista cresce a cada nova turma. Com o tempo, o equipamento envelhece e exige manutenção, peças e reposição. Por isso, o gasto com aparelhos pesa mais que em muitos outros negócios de serviço.

Hoje, esse gasto raramente rende crédito para quem está no Lucro Presumido ou no Simples. Na reforma, porém, a lógica muda. O imposto pago na compra pode abater o imposto da venda, desde que o regime e a nota permitam. Assim, os aparelhos de pilates deixam de ser só custo e viram um ponto de planejamento.

O que a lei diz sobre o crédito na compra de equipamentos

A Simtax publicou, em 2 de dezembro de 2025, um guia sobre crédito de IBS e CBS em equipamentos. Segundo o texto, a compra de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado gera crédito integral e imediato. Isso vale no regime regular, com base no artigo 47 da LC 214/2025.

Portanto, o crédito vem inteiro. No PIS e na Cofins, o crédito do imobilizado vinha em parcelas, muitas vezes ao longo de 48 meses, conforme a mesma fonte. Na reforma, a empresa toma o valor no período em que o débito da operação é extinto. Em geral, isso ocorre com o pagamento ao fornecedor.

Ainda assim, há condições claras. O fornecedor precisa destacar o IBS e a CBS na nota, e o bem deve servir à atividade da empresa. Em contrapartida, o uso pessoal não gera crédito. Portanto, a nota de compra deve sair no CNPJ do studio, e não no CPF do sócio.

Como os aparelhos de pilates se encaixam no regime regular

Em primeiro lugar, o crédito só existe para quem apura IBS e CBS pelo regime regular. No Simples Nacional, o IBS e a CBS ficam dentro do DAS por padrão. O CGSN publicou a Resolução 194/2026 em 28 de setembro de 2026. Por ela, a opção pelo regime regular para o primeiro semestre de 2027 vai até 30 de outubro.

O Meu Contador Online publicou um artigo em 31 de agosto de 2026. Segundo ele, máquinas e equipamentos podem gerar crédito para o optante do regime regular. O mesmo texto afirma que o ativo imobilizado tem tratamento próprio, sem detalhá-lo. Portanto, confirme a regra com o contador.

No Lucro Presumido, a CBS substitui o PIS e a Cofins em 2027. Nesse regime, a compra do equipamento entra na apuração da CBS e do IBS. Em outras palavras, o studio que já está no regime regular só precisa cuidar da nota e do enquadramento.

Exemplo prático 1: a compra de um lote de aparelhos

Veja, por exemplo, um caso hipotético, só para ilustrar. Um studio no Lucro Presumido fatura R$ 60.000 por mês com sessões de pilates. Suponha que a atividade tenha a redução de 60%. Em 2027, a CBS é de 9% e o IBS, de 0,1%. Então, a alíquota fica em cerca de 3,64% por fora, ou R$ 2.184 por mês, e o ISS segue em paralelo.

Em seguida, o studio compra cinco Reformers e um Cadillac por R$ 100.000. Já o fornecedor do regime regular cobra mais 9,1% de imposto, ou R$ 9.100, e a nota sai a R$ 109.100. A CBS e o IBS destacados viram crédito de R$ 9.100, tomado no mês do pagamento.

Então, nesse mês, o imposto devido é de R$ 2.184, e o crédito é maior que isso. Assim, sobra um saldo de R$ 6.916. Nos meses seguintes, o saldo abate o imposto da venda. Na prática, o studio fica cerca de quatro meses sem pagar IBS e CBS. O saldo credor também pode pedir ressarcimento, e os prazos de devolução dependem do perfil do contribuinte.

Segundo a Simtax, o artigo 39 fixa prazos de 30, 60 ou 180 dias, conforme o contribuinte. Contudo, os valores do exemplo são hipóteses, e a regulamentação final pode mudar o trâmite.

Para comparar, imagine o PIS e a Cofins não cumulativos, com crédito de 9,25% sobre R$ 100.000. O crédito seria de R$ 9.250, em 48 parcelas de cerca de R$ 192,71. Na reforma, o mesmo valor entra de uma vez só.

Quando o fornecedor dos aparelhos de pilates é do Simples

Porém, nem todo fabricante de equipamento está no regime regular. Muitos são pequenos e optam pelo Simples Nacional. Nesse caso, o crédito do comprador muda. Segundo o CRC-MA, em notícia de 11 de setembro de 2026, o crédito fica limitado ao montante devido pelo fornecedor no Simples.

Em outras palavras, o comprador não recebe a alíquota cheia. Ele recebe apenas a fatia de IBS e CBS que o fornecedor paga dentro do DAS. Por isso, o preço da nota pode enganar. O Meu Contador Online ilustra isso com duas propostas de R$ 10.000, que geram crédito de R$ 500 e de R$ 1.500. Um fornecedor do Simples pode parecer mais barato, mas entregar menos crédito.

Felizmente, há uma saída. O fornecedor pode optar pelo regime regular de IBS e CBS e continuar no Simples para os demais tributos. Nessa situação, o cliente toma o crédito pelas regras gerais. Vale perguntar isso ao fornecedor na hora da negociação.

Exemplo prático 2: vale migrar do Simples por um semestre?

Considere agora um studio no Simples Nacional, com receita de R$ 60.000 por mês. Suponha que a fatia de IBS e CBS no DAS seja de 1,753%. Esse número vem do exemplo de consultoria do ValorFinal, para a terceira faixa do Anexo III. Assim, a fatia dá R$ 1.051,80 por mês, ou R$ 6.310,80 em seis meses.

Nesse cenário, o studio pretende comprar os mesmos aparelhos, com crédito de R$ 9.100. Imagine que ele opte pelo regime regular no semestre da compra e tenha a redução de 60%. O imposto bruto é de R$ 2.184 por mês, ou R$ 13.104 no semestre. Com o crédito, paga R$ 4.004. Isso é R$ 2.306,80 a menos que a fatia do DAS.

Porém, o cenário muda se a atividade não tiver a redução. Com alíquota de 9,1%, o imposto bruto sobe a R$ 5.460 por mês, ou R$ 32.760 no semestre. Mesmo com o crédito, o studio paga R$ 23.660, o que é R$ 17.349,20 a mais que no DAS. Logo, a classificação do serviço decide se a migração compensa. Em resumo, o crédito de um único lote raramente justifica a troca sozinho. Ele pesa mais quando soma outras compras com imposto destacado.

Além disso, a escolha vale por semestre e não pode ser desfeita no período. Pela Resolução CGSN 194/2026, quem quiser o regime regular no segundo semestre de 2027 opta entre 1º e 31 de março. Por isso, o studio deve alinhar a compra ao calendário.

Manutenção e peças dos aparelhos de pilates

Além disso, o crédito não vale só para a compra dos aparelhos de pilates. Molas, cordas, estofados, rodízios e a revisão periódica também podem gerar crédito, se o fornecedor destacar o imposto e o gasto servir à atividade. Segundo o Meu Contador Online, serviços terceirizados tributados e documentados podem gerar crédito.

Na prática, o studio deve guardar a nota de cada serviço e de cada peça. Também é importante identificar o aparelho de pilates a que o gasto se refere. Dessa forma, o crédito fica comprovado, e o controle ajuda a decidir quando trocar um equipamento antigo.

Já o técnico autônomo pessoa física, em regra, não emite nota com destaque. Nesse caso, não há crédito. Assim, vale comparar o preço do técnico autônomo com o de uma empresa de manutenção que emite nota regular.

Como registrar os aparelhos de pilates na contabilidade

O crédito depende de prova. Por isso, cada aparelho deve ter nota fiscal em nome do CNPJ, data de compra, valor e número de série. Em seguida, o contador lança o bem no ativo imobilizado e define a vida útil para fins contábeis.

Além disso, o studio deve guardar contrato, comprovante de pagamento e laudo de entrega. Quem usa o aparelho para aulas deve manter o registro do uso. Dessa forma, fica fácil mostrar que o bem serve à atividade e que não há uso pessoal.

Também vale separar o que é aparelho e o que é consumo. Colchonetes, bolas e faixas se desgastam rápido. Mesmo assim, podem gerar crédito se forem da atividade e vierem com nota. Por isso, o inventário deve cobrir os dois grupos.

Equipamento usado, importado ou comprado de pessoa física

Por outro lado, o aparelho usado merece atenção. Quando o vendedor é pessoa física, não há nota com IBS e CBS destacados. Em regra, sem imposto na nota, o studio não tem crédito. Ainda assim, o usado pode compensar, se o preço for bem menor que o do novo.

Por isso, para decidir, compare o custo líquido. Um Reformer novo de R$ 9.000, com R$ 819 de imposto, custa R$ 9.000 depois do crédito. Um usado de R$ 6.000, sem crédito, custa R$ 6.000. O usado ainda sai mais barato, mas a diferença é de R$ 3.000, e não de R$ 3.819.

No caso do equipamento importado, o imposto de importação e o IBS e a CBS na entrada mudam a conta. Como as fontes consultadas não detalham esse ponto, trate o tema com o contador e o despachante antes de fechar o pedido.

Exemplo prático 3: o aparelho perdido ou vendido

Contudo, o crédito é integral, mas não é definitivo. A Simtax explica o estorno em casos de perda, roubo ou inutilização. O crédito volta de forma proporcional ao tempo de uso, conforme os parágrafos 6º e 7º do artigo 47. O texto dá o exemplo de um bem com vida útil de 10 anos, furtado após 2 anos.

Aplique isso ao lote do primeiro exemplo, com crédito de R$ 9.100. Se o lote inteiro fosse perdido após dois anos, o studio estornaria a parte dos oito anos restantes. Isso dá R$ 7.280, ou 8/10 de R$ 9.100. Para um só aparelho, o estorno seria proporcional ao crédito dele.

Portanto, mantenha seguro, inventário e registro dos aparelhos. Além disso, planeje a venda de equipamentos antigos com o contador. Os números são hipóteses, e a regra de venda do bem ainda deve vir na regulamentação.

A visão de Luiz Rainato sobre os aparelhos de pilates

Para Luiz Rainato, diretor e fundador da R2 Saúde Contábil, o maior erro é decidir só pelo preço da nota. Isso vale para a compra de aparelhos de pilates. Segundo ele, o studio deve olhar o regime, o fornecedor e o enquadramento do serviço antes de investir.

Ele reforça que o crédito do equipamento é um bônus de planejamento, e não uma razão para comprar mais. Em geral, o melhor ponto de partida é um mapa dos aparelhos, das notas e do regime. Com isso, o investimento passa a ter base real.

Indicadores para acompanhar

Para decidir com dados, acompanhe poucos números. O primeiro é o valor investido em aparelhos de pilates por ano e o crédito gerado por esse valor. Em seguida, olhe o saldo credor acumulado e o tempo que ele leva para ser usado.

Depois, acompanhe o percentual de compras com nota e imposto destacado. Por fim, observe o custo de manutenção por aparelho e a idade média do parque. Esses números mostram quando trocar, quando reformar e quando esperar.

Erros comuns na compra de aparelhos de pilates

Em primeiro lugar, o erro mais comum é comprar sem nota ou com a nota no CPF do sócio. Como vimos, isso tira o crédito. Outro erro é comparar apenas o preço de tabela, sem considerar o regime do fornecedor.

Também é comum, ao comprar aparelhos de pilates, esperar crédito integral estando no Simples sem optar pelo regime regular. Além disso, muitos studios ignoram a classificação do serviço, que pode mudar a alíquota. Por fim, alguns deixam de registrar o bem e perdem o controle do estorno em caso de perda.

Plano em cinco passos para os aparelhos de pilates

O primeiro passo para os aparelhos de pilates é fazer a lista dos atuais e dos que serão comprados, com valor e data. Inclua também as peças e a manutenção. Em seguida, confirme o regime tributário do studio e a classificação do serviço. Dessa forma, você sabe quanto crédito vai usar.

O terceiro passo é pedir propostas com o regime tributário do fornecedor e comparar o custo líquido. O quarto passo é organizar notas, inventário e contratos de manutenção. Por fim, simule o semestre da compra com o contador, antes de 30 de outubro, se houver dúvida sobre o Simples.

Perguntas frequentes sobre aparelhos de pilates

A compra de aparelhos de pilates gera crédito de IBS e CBS?

Sim, no regime regular, se o fornecedor destacar o imposto e o bem servir à atividade. No Simples, o crédito exige a opção pelo regime regular.

O crédito dos aparelhos vem em parcelas?

Segundo a Simtax, o crédito do imobilizado é integral e imediato, e não parcelado como no PIS e na Cofins. Confirme com o contador, pois a regulamentação ainda evolui.

Comprar de fornecedor do Simples gera crédito?

Gera, mas limitado ao valor que o fornecedor paga no DAS. Por isso, compare o custo líquido de cada proposta.

Aparelho usado de pessoa física gera crédito?

Em regra, não, pois não há imposto destacado na nota. O usado pode compensar pelo preço menor.

Os aparelhos de pilates do seu studio já estão prontos para a reforma?

Quem cuida de alunos e de aparelhos de pilates vive o ritmo das aulas e da agenda. Por isso, a compra de aparelhos costuma seguir o impulso do crescimento. Sem planejamento, porém, o studio pode perder crédito ou assumir um risco que não enxerga.

A R2 Saúde Contábil acompanha a regulamentação da Reforma Tributária para profissionais da saúde. Assim, ajudamos você a planejar a compra, comparar fornecedores e simular o regime. Veja também o nosso guia da Reforma Tributária em 2026.

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