O split payment na saúde vai mudar a forma como o dinheiro chega à conta da clínica. Hoje, você recebe o valor cheio da consulta ou do repasse e paga os impostos no mês seguinte. Com o novo modelo, o imposto sai no momento do pagamento, antes mesmo de entrar no caixa. Por isso, entender essa mudança agora evita sustos com capital de giro nos próximos anos.
Neste artigo, a R2 Saúde Contábil explica o que é o split payment e quando ele começa. Também mostra como ele afeta clínicas e consultórios. Como resume Luiz Rainato, fundador da R2 Saúde: “o imposto não aumenta com o split, mas o caixa sente”. Ao longo do texto, você verá exemplos práticos, prazos oficiais e um plano de preparação.
O que você vai aprender nesse conteúdo:
ToggleO que é o split payment na saúde
O split payment faz parte da reforma tributária que criou a CBS e o IBS. Em português, a expressão significa “pagamento dividido”. Na prática, o banco ou a instituição de pagamento separa o imposto no momento da transação. Em seguida, ele envia essa parte direto ao governo e repassa o restante ao prestador do serviço.
A Lei Complementar 214/2025 chama esse mecanismo de recolhimento na liquidação financeira. Além disso, o Decreto 12.955/2026, que regulamenta a CBS, detalha os procedimentos e prevê uma implantação gradual.
Por exemplo: uma clínica emite nota de R$ 1.000 para uma empresa contratante. Com o split payment na saúde, a parcela de IBS e CBS segue direto para o fisco. Assim, a clínica recebe apenas o valor líquido, sem precisar recolher esse imposto depois.
Split payment não é imposto novo
Muita gente confunde o split payment com um tributo extra. No entanto, ele não cria imposto nenhum. Ele apenas muda o momento e a forma do recolhimento.
Hoje, a clínica funciona como uma espécie de intermediária do imposto. Ela recebe o valor bruto, guarda a parte do governo e paga a guia no vencimento. Com o novo modelo, esse dinheiro deixa de passar pela conta da empresa.
Essa mudança parece pequena, porém ela mexe com um recurso que muitas clínicas usam sem perceber. Entre o recebimento e o vencimento da guia, o valor dos impostos fica disponível por alguns dias. Em outras palavras, ele funciona como um capital de giro informal. Portanto, o split payment na saúde elimina essa folga e exige uma gestão de caixa mais precisa.
Quando o split payment na saúde começa
A implantação será gradual. Segundo o Decreto 12.955/2026, o split payment começa em 2027 de forma opcional. Nessa primeira fase, ele vale apenas para operações entre empresas do regime regular. Além disso, a etapa inicial contempla Pix, boleto e transferências, enquanto cartões ficam de fora num primeiro momento.
Em agosto de 2026, o Comitê Gestor do IBS confirmou que o mecanismo não começa amplo em janeiro de 2027. Afinal, os bancos pediram mais prazo para integrar os sistemas. Depois disso, a Receita Federal sinalizou à imprensa que a obrigatoriedade deve chegar em 2028. Contudo, essa data ainda não aparece em norma formal.
Por fim, a reforma inteira se completa em 2033, quando IBS e CBS substituem de vez os tributos atuais. Por exemplo: uma clínica que recebe de operadoras tende a sentir o efeito antes de outra que atende só particulares. Assim, cada perfil de receita terá um ritmo diferente de adaptação.
O fôlego de caixa que a clínica vai perder
Para entender o impacto, vale olhar o calendário atual dos impostos. No Simples Nacional, o DAS vence no dia 20 do mês seguinte ao faturamento. No Lucro Presumido, PIS e Cofins vencem até o dia 25 do mês seguinte. Já o ISS segue o calendário de cada município.
Isso significa que o imposto de uma consulta feita no início do mês pode ficar até 50 dias no caixa. Os especialistas chamam esse intervalo de float tributário. Embora pareça um detalhe contábil, ele ajuda a pagar salários, aluguel e fornecedores em meses mais fracos.
Por exemplo: uma clínica fatura R$ 60 mil por mês e recolhe 12% de impostos. Até o vencimento, ela mantém cerca de R$ 7.200 no caixa. Com o split payment na saúde, esse valor deixa de existir como folga. Logo, a clínica precisará substituir esse fôlego por uma reserva planejada.
Por que clínicas e consultórios sentem mais
O setor de saúde depende muito de recebimentos de pessoas jurídicas. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os planos médicos somavam 52,958 milhões de beneficiários em abril de 2026. Além disso, os planos exclusivamente odontológicos chegavam a 35,978 milhões. Esses números mostram o peso das operadoras na receita de clínicas credenciadas.
Como as operadoras são empresas, os repasses delas tendem a entrar cedo no universo do split payment. Isso pesa porque a clínica credenciada já convive com prazos longos de pagamento. Muitas vezes, o repasse chega 30, 60 ou até 90 dias depois do atendimento. Somam-se a isso as glosas, que reduzem o valor previsto.
Por exemplo: uma clínica que fatura 70% com convênios já administra um caixa apertado. Se o imposto sair na fonte, a margem para atrasos e imprevistos diminui ainda mais. Dessa forma, o split payment na saúde exige uma reserva financeira maior do que a atual.
Como funciona a retenção do imposto
O decreto prevê dois procedimentos principais. No procedimento padrão, a instituição de pagamento consulta a plataforma do fisco e retém o valor exato do imposto. Nesse cálculo, o sistema considera os créditos que a clínica já compensou. Logo, a retenção pode ser menor do que o imposto destacado na nota.
O procedimento simplificado, por sua vez, é opcional e aplica um percentual fixo sobre o valor da operação. Depois, o fisco faz o acerto e devolve eventual excesso em até três dias úteis. Há ainda um modelo de contingência, que entra em ação quando os sistemas falham.
Por exemplo: uma clínica que comprou equipamentos e pagou aluguel com IBS e CBS acumula créditos. No procedimento padrão, esses créditos reduzem o valor retido em cada recebimento. Por isso, o split payment na saúde premia a clínica que organiza bem as notas de compra.
Reduções da saúde e o valor retido
A reforma reconheceu o caráter essencial da saúde. Por isso, a LC 214/2025 reduz em 60% o IBS e a CBS dos serviços de saúde que ela lista. Essa redução vale também no momento da retenção, já que o split segue o imposto destacado na nota.
No entanto, a classificação correta do serviço faz toda a diferença. Se a nota trouxer um código inadequado, o sistema pode reter o imposto pela alíquota cheia. Nesse caso, a clínica perde caixa até corrigir o erro e recuperar a diferença.
Por exemplo: uma clínica que emite nota com classificação genérica de serviço pode sofrer retenção maior do que o devido. Assim, revisar os códigos de serviço evita que o split payment na saúde retenha dinheiro além da conta.
Simulação: o split payment na saúde no caixa da clínica
Vamos a um cenário ilustrativo. Imagine uma clínica no regime regular que recebe R$ 100 mil por mês de operadoras e empresas. Os serviços de saúde listados na LC 214/2025 têm redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS. Com uma alíquota cheia hipotética de 26,5%, a alíquota efetiva seria de 10,6%.
Nesse caso, o imposto do mês chegaria a R$ 10.600. Atualmente, a clínica receberia esse valor e o pagaria semanas depois. Com o split, ela recebe R$ 89.400 líquidos, já sem o imposto. Se tiver R$ 2.000 em créditos compensados, a retenção cai para R$ 8.600.
Repare que o imposto final não muda por causa do split. Entretanto, os R$ 10.600 que antes ajudavam a pagar fornecedores deixam de circular no caixa. Vale lembrar que esse cenário usa alíquotas plenas de 2033. Portanto, o split payment na saúde deve entrar no planejamento financeiro desde já, mesmo com a transição gradual.
Clínicas do Simples Nacional e o split payment
A primeira fase do split payment alcança contribuintes do regime regular. Porém, a reforma permite que empresas do Simples Nacional recolham IBS e CBS fora do DAS, pelo regime regular. Quem fizer essa escolha entra mais cedo no novo modelo de recolhimento.
Conforme a Resolução CGSN nº 194/2026, o prazo para essa opção valer em 2027 vai até 30 de outubro. Além disso, a empresa pode cancelar a escolha entre 3 de novembro e 20 de dezembro. Isso acontece porque o Senado deve definir a alíquota da CBS de 2027 até 15 de dezembro.
Por exemplo: uma clínica do Simples que atende muitas empresas pode querer gerar créditos integrais para os clientes. Nesse caso, ela ganha competitividade, mas também passa a conviver com o split payment na saúde mais cedo. Assim, a decisão envolve tanto impostos quanto fluxo de caixa.
Fornecedores, créditos e capital de giro
O split payment também vale quando a clínica paga os próprios fornecedores. Nesse caso, a instituição de pagamento separa o imposto do fornecedor e envia direto ao fisco. Para a clínica, o desembolso total continua o mesmo.
A grande vantagem aparece nos créditos. Pela LC 214/2025, o crédito de IBS e CBS depende, em regra, do pagamento efetivo do imposto pelo fornecedor. Como o split garante esse recolhimento na hora, o crédito tende a ficar disponível com mais segurança e rapidez.
Por exemplo: uma clínica compra um equipamento de um fornecedor do regime regular e paga via boleto com split. Assim, o imposto da compra vai direto ao fisco, e o crédito da clínica ganha respaldo imediato. Dessa forma, o split payment na saúde também reduz o risco de perder créditos por inadimplência de fornecedores.
Recebimentos de particulares, cartão e Pix
Pacientes particulares pagam como pessoas físicas. Por enquanto, a fase inicial do split payment não alcança essas operações. Mesmo assim, a tendência é que o mecanismo se estenda a cartões e consumidores finais nas etapas seguintes.
Quando isso acontecer, a mudança terá efeito direto nas maquininhas. Hoje, o valor da venda no cartão já chega descontado da taxa da adquirente. No futuro, ele também poderá chegar sem a parcela de IBS e CBS. As regras para vendas parceladas ainda dependem de regulamentação específica.
Vale lembrar que muitas clínicas oferecem pacotes de tratamento pagos em várias parcelas. Nesses casos, o paciente paga ao longo de meses, enquanto a clínica arca com custos fixos todo mês. Se a retenção ocorrer a cada parcela, o fluxo fica mais previsível. Por outro lado, qualquer mudança nessa regra exigirá novo cálculo de preços e prazos. Assim, acompanhar a regulamentação dos cartões é tão importante quanto acompanhar a das operadoras.
Por exemplo: uma clínica que antecipa recebíveis do cartão para pagar a folha precisa recalcular essa estratégia. Afinal, o valor disponível para antecipação tende a ser menor. Dessa forma, o split payment na saúde também afeta decisões de crédito e de antecipação bancária.
Contratos, glosas e conciliação
O split payment depende da ligação entre a nota fiscal e o pagamento. Por isso, a clínica precisa emitir notas corretas, com valores e classificações compatíveis com o que vai receber. Qualquer divergência pode gerar retenções erradas e retrabalho no fechamento.
As glosas merecem atenção especial. Quando a operadora paga menos do que o faturado, a conciliação entre nota, imposto e repasse fica mais complexa. Além disso, contratos de credenciamento antigos raramente tratam do novo modelo de recolhimento.
Por exemplo: uma clínica que revisa os contratos com operadoras pode incluir cláusulas sobre ajustes tributários e prazos de repasse. Assim, ela reduz conflitos quando a retenção começar. Em suma, o split payment na saúde transforma a conciliação financeira em tarefa estratégica.
Sistemas, notas fiscais e tecnologia
Nada disso funciona sem integração entre nota fiscal, banco e sistema de gestão. Desde 2026, as notas de serviço já trazem campos de IBS e CBS, ainda com caráter informativo. Além disso, a NFS-e de padrão nacional avançou e substituiu modelos municipais em muitas cidades.
Na prática, o software da clínica precisa emitir notas no padrão correto e conciliar os valores líquidos recebidos. Caso contrário, o financeiro vai gastar horas tentando entender por que o repasse chegou menor. Da mesma forma, cadastros de pacientes e empresas precisam de CPF e CNPJ corretos.
Por exemplo: uma clínica que ainda emite notas manualmente no portal da prefeitura precisa rever o processo antes da obrigatoriedade. Portanto, o split payment na saúde também acelera a modernização da gestão financeira.
Como preparar o split payment na saúde em 6 passos
Primeiro, mapeie as fontes de receita da clínica e separe operadoras, empresas, particulares, cartão e Pix. Em seguida, calcule quanto do imposto atual fica no caixa entre o recebimento e o vencimento da guia. Depois, transforme esse valor em meta de reserva financeira para os próximos anos.
Além disso, organize todas as notas de compra que podem gerar créditos de IBS e CBS. Em quinto lugar, confirme se o sistema de gestão e a emissão de notas estão prontos para o novo padrão. Por fim, simule com a contabilidade os regimes possíveis e o efeito no caixa antes de 30 de outubro.
Por exemplo: uma clínica que segue esses passos ainda em 2026 chega a 2027 com reserva definida e sistemas ajustados. Portanto, o split payment na saúde deixa de ser ameaça e vira parte da rotina financeira.
Dúvidas frequentes sobre o split payment na saúde
O split payment vale para repasses de operadoras?
As operadoras são empresas e, por isso, os repasses delas se encaixam nas operações entre pessoas jurídicas. Nas fases iniciais, a aplicação depende do regime das partes e da forma de pagamento. Portanto, vale conversar com a contabilidade e com as próprias operadoras sobre o cronograma de cada contrato.
O split payment aumenta o imposto da clínica?
Não. O split payment muda apenas o momento e a forma de recolhimento. O valor do imposto depende das alíquotas e das reduções previstas para a saúde. Contudo, o efeito no caixa é real, porque o dinheiro do imposto deixa de passar pela conta.
Quando o split payment passa a ser obrigatório?
O decreto prevê início opcional em 2027, restrito a operações entre empresas do regime regular. Depois, a Receita Federal sinalizou obrigatoriedade a partir de 2028. Ainda assim, essa data depende de regulamentação formal.
Clínicas do Simples que pagam pelo DAS serão afetadas?
Na fase inicial, o decreto restringe o split payment às operações entre empresas do regime regular. Assim, a clínica que recolhe tudo pelo DAS não entra nessa primeira etapa. Ainda assim, as próximas fases podem ampliar o alcance, e por isso vale acompanhar a regulamentação.
A clínica pode recuperar valores retidos a mais?
Sim. No procedimento simplificado, o fisco devolve o excesso em até três dias úteis após o acerto. Já no procedimento padrão, a retenção considera os créditos compensados. Por isso, manter as notas de compra em dia faz diferença.
Conclusão: o split payment na saúde pede ação agora
Você escolheu cuidar de pessoas, e não de planilhas. Mesmo assim, o caixa sustenta cada atendimento, cada salário e cada equipamento da clínica. O split payment na saúde não aumenta o imposto. Porém, ele tira do caixa um fôlego que muita clínica usa todo mês.
Em suma, os pontos centrais são claros. Primeiro, o mecanismo começa em 2027 de forma gradual e deve se tornar obrigatório depois. Em seguida, clínicas que dependem de operadoras e empresas tendem a sentir o efeito antes. Por fim, reserva financeira, créditos organizados e contratos revisados fazem toda a diferença.
Assim, o melhor momento para se preparar é agora, enquanto ainda existe tempo para simular e ajustar. Fale com a R2 Saúde Contábil e descubra quanto o split payment vai mexer no caixa da sua clínica. Afinal, quem se antecipa ao split payment na saúde continua focado no que importa: os pacientes.
Luiz Rainato


