O cronograma da reforma tributária vai de 2026 a 2033, e cada ano pede uma ação diferente da clínica. Em 2026 o sistema só testa. Em 2027 a CBS entra de verdade. De 2029 a 2032 o ISS cai aos poucos, e em 2033 o novo modelo opera sozinho. Quem trata esse calendário como um bloco único perde o momento certo de agir. Por isso, este guia separa o que fazer em cada fase, com exemplos numéricos e um plano de ação.
Você vê o que muda ano a ano e como o imposto da clínica evolui no período. Também confere os pontos de contrato, de regime e de sistema que pedem atenção. Por fim, encontra um plano de preparação em quatro passos.
O que você vai aprender nesse conteúdo:
ToggleCronograma da reforma tributária: visão geral para clínicas
A reforma troca cinco tributos por dois. A CBS, federal, ocupa o lugar de PIS e Cofins. O IBS, dividido entre estados e municípios, ocupa o lugar de ICMS e ISS. A Lei Complementar nº 214/2025 fixou as regras gerais dos dois tributos.
Para a clínica de serviços, o ISS e o PIS e a Cofins são os tributos que saem. Segundo a Taxcel, em página atualizada em julho de 2026, a transição vai de 2026 a 2033. Veja o contexto completo no nosso guia da Reforma Tributária em 2026.
Cronograma da reforma tributária em 2026: o ano de teste
Em 2026, a CBS roda em fase de teste, com alíquota de 0,9%, e o IBS começa com 0,1%. Esses valores têm caráter informativo. Segundo a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS, quem cumpre as obrigações acessórias não paga nada adicional neste ano.
A Taxcel lista os campos de IBS e CBS nos documentos fiscais desde 1º de janeiro. O destaque na NF-e vale desde 3 de agosto para o regime regular. Já o Simples Nacional e o MEI entram na obrigação em 4 de janeiro de 2027. A própria Taxcel aponta uma inconsistência sobre a rejeição da NF-e, então confirme a regra no seu sistema de emissão.
Plano de ação para 2026: sistema, cadastro e regime
O foco de 2026 é a base. Primeiro, confirme que o sistema de emissão preenche os campos novos e que o faturamento sabe usá-los. Em seguida, revise o cadastro de serviços, o CNAE e a classificação fiscal de cada procedimento.
Além disso, defina o regime. O Simples ganhou uma opção híbrida, na qual a empresa recolhe IBS e CBS fora do DAS. A janela de opção para 2027 foi de 1º a 30 de setembro de 2026. Se a clínica perdeu o prazo, converse com o contador sobre as próximas janelas.
Cronograma da reforma tributária em 2027: CBS plena e fim do PIS e da Cofins
Em 2027, a CBS passa a valer em alíquota cheia, e PIS e Cofins saem de cena. Segundo a Taxcel, a alíquota estimada da CBS é de cerca de 8,8%, com um redutor de 0,1 ponto em 2027 e 2028. O IBS segue em teste, e o Imposto Seletivo começa.
O split payment fica opcional entre empresas. Para a clínica, o ano de 2027 é a primeira mudança real de caixa e de carga. A boa notícia é que o ISS continua em vigor, o que suaviza o salto. Portanto, 2027 pede simulação, e não pânico.
Exemplo prático: a clínica em 2027
Considere uma clínica do Lucro Presumido que fatura R$ 400.000 por mês. Hoje, o ISS de 3% e o PIS e a Cofins de 3,65% somam 6,65%, ou R$ 26.600. Suponha a CBS de 8,8% com a redução de 60% para saúde, o que dá 3,52% e cerca de R$ 14.080.
Em 2027, o PIS e a Cofins saem, e o ISS continua com cerca de R$ 12.000. A carga fica em cerca de R$ 26.080, quase igual à de hoje. Os números são hipotéticos, ignoram créditos e supõem que a redução de 60% alcança a CBS.
Cronograma da reforma tributária e o split payment
O split payment começa em 2027 como opção entre empresas. Nele, o imposto sai do pagamento no momento da transação e segue direto ao governo. A regra para o consumidor final ainda depende de regulamentação.
Para a clínica, o efeito aparece no caixa. Hoje, o imposto fica no caixa até o vencimento e funciona como capital de giro. Com o split, esse alívio some. Portanto, simule o caixa dos próximos dois anos, principalmente se parte da receita vem de convênios com prazo longo.
Cronograma da reforma tributária em 2028: o ano de consolidação
Segundo a Taxcel, 2028 mantém o desenho de 2027 enquanto as alíquotas de referência passam por calibragem. Não há mudança grande descrita. Por isso, o ano serve para consolidar a apuração e auditar o histórico.
É também o momento certo para revisar contratos. O ISS começa a cair em 2029, e o IBS sobe junto. Quem negocia em 2028 chega ao primeiro ano de salto com o aditivo pronto. Assim, a clínica evita absorver sozinha a carga que vem de fora.
Contratos e a janela de 31 de março
Segundo o Portal Médico do CFM, em notícia de 2018, a negociação anual com operadoras termina em 31 de março. Sem acordo, a ANS fixa o índice, com base no IPCA cheio. Confirme as regras atuais, porque a fonte é antiga.
Para a clínica, isso cria duas janelas úteis: março de 2027 e março de 2028. Em ambas, leve a planilha com o imposto atual, o imposto estimado e o efeito na margem por procedimento. Em seguida, proponha cláusula de reequilíbrio ligada à mudança de alíquota.
Cronograma da reforma tributária em 2029: o ISS começa a cair
Em 2029, o ISS e o ICMS caem para 90% das alíquotas originais, segundo a Taxcel. O IBS sobe na mesma proporção. É o início da gestão paralela dos dois sistemas. Para a clínica, o ISS ainda pesa, mas o IBS já aparece na nota.
Esse é o primeiro ano em que a carga sobe de forma perceptível. Por isso, o reajuste de preço e de contrato precisa estar pronto. Além disso, a equipe financeira precisa conferir o rateio entre os dois tributos. Um erro de percentual gera diferença de caixa mês a mês.
Cronograma da reforma tributária em 2030 e 2031
Em 2030, o ISS cai para 80%. Em 2031, para 70%. A Taxcel recomenda mapear saldos credores de ICMS em 2030 e revisar benefícios fiscais estaduais em extinção em 2031. Para a clínica de serviços, o ponto central é o IBS, que sobe a cada ano.
Nesse período, a clínica deve acompanhar os créditos. Peça nota com imposto destacado a todo fornecedor e guarde os documentos. Além disso, reavalie a tabela de preços todos os anos. Pequenos ajustes anuais pesam menos do que um reajuste único e grande em 2033.
Cronograma da reforma tributária em 2032: o último ano do ISS
Em 2032, o ISS cai para 60% da alíquota original. Segundo a Taxcel, é o último ano dos tributos antigos. A página recomenda encerrar as apurações legadas.
Para a clínica, 2032 é o ano de preparar a virada. Revise o sistema, feche pendências do ISS e confirme o regime que valerá a partir de 2033. Além disso, calcule a carga final e compare com a tabela de preços. Assim, a clínica entra no último ano sem surpresa.
Cronograma da reforma tributária em 2033: o novo sistema sozinho
Em 2033, IBS e CBS operam em vigência integral, e o ICMS e o ISS deixam de existir. A clínica passa a viver apenas no IVA dual. Segundo a Medicina S/A, a referência é de 26,5%. Com a redução de 60% para saúde, a alíquota efetiva chega a cerca de 10,6%.
Esses números são projeções, e a alíquota definitiva depende de regulamentação. Mesmo assim, ajudam a dimensionar o ponto de chegada. Portanto, trabalhe com 10,6% como cenário e confirme o valor com o contador antes de fechar o planejamento de longo prazo.
Exemplo prático: a carga da clínica de 2029 a 2033
Volte à clínica que fatura R$ 400.000 por mês. Suponha CBS de 3,52%, IBS pleno de 7,08% e ISS de 3%. A CBS custa cerca de R$ 14.080 por mês. Em 2029, o ISS cai para R$ 10.800, e o IBS soma cerca de R$ 2.832. A carga total chega a cerca de R$ 27.712.
Em 2030, o total sobe para cerca de R$ 29.344. Já em 2031, chega a cerca de R$ 30.976, e em 2032, a cerca de R$ 32.608. Por fim, em 2033, sem ISS e com IBS pleno, a carga chega a cerca de R$ 42.400, ou 10,6%. O exemplo é hipotético, ignora créditos e supõe que o IBS sobe na proporção da queda do ISS.
Cronograma da reforma tributária e os créditos da clínica
Os créditos mudam a conta final. A clínica passa a abater o imposto de aluguel, internet, limpeza, insumos e serviços de terceiros. Mas só gera crédito quem compra de fornecedor que destaca o imposto.
Por isso, o plano de ação inclui um cadastro de fornecedores. Classifique cada um por regime e por tipo de nota. Em seguida, peça a nota correta. Além disso, negocie com os fornecedores do Simples que não geram crédito pleno. Esse trabalho reduz a carga final mais do que qualquer ajuste de preço.
Medicamentos, dispositivos e a revisão da lista
Para clínicas que compram insumos, a lista de alíquota zero também entra no calendário. Segundo a Systax, o Anexo XIV passa por revisão a cada 120 dias, além de uma revisão de cinco anos. Portanto, o rol de itens pode mudar durante a transição.
Por isso, revise o catálogo de insumos todo semestre. Confirme o NCM e o princípio ativo de cada item. Além disso, registre como cada compra aparece na nota. Sem esse controle, o crédito pode sumir sem que a clínica perceba.
Simples Nacional ao longo do cronograma
Muitas clínicas estão no Simples Nacional. Nesse regime, o DAS continua, e a reforma muda menos a rotina. Em contrapartida, o Simples tradicional não gera crédito pleno ao cliente empresa ou ao hospital.
A opção híbrida muda esse quadro, mas traz mais obrigações e uma carga próxima à do regime regular. Por isso, a decisão exige simulação a cada ano. Em 2028, por exemplo, vale comparar DAS, híbrido e regime regular com os números reais da clínica. Assim, a escolha deixa de ser intuitiva.
O peso dos convênios no calendário
Os convênios mandam no fluxo de receita da saúde privada. O observatório da Anahp, citado pelo Futuro da Saúde em maio de 2024, traz um número forte. Ele mostra que 83,4% da receita dos hospitais associados vinha de planos de saúde. Isso mostra o tamanho da dependência.
Por isso, o cronograma da clínica precisa conversar com o calendário das operadoras. Registre as datas-base de cada contrato. Em seguida, marque as reuniões de março e as revisões anuais. Dessa forma, a clínica nunca perde uma janela de reajuste.
O que ainda pode mudar no cronograma
O calendário tem pontos em aberto. A Taxcel avisa que as alíquotas de referência não são definitivas e que os valores dependem de resoluções do Senado. A mesma página não informa os percentuais exatos de IBS entre 2029 e 2032, e diz apenas que o IBS sobe na proporção.
Por isso, trate as datas como guia e as alíquotas como cenário. Confirme a regra em vigor antes de cada decisão de preço, de contrato ou de investimento em sistema. Além disso, acompanhe as notas técnicas da Receita e do Comitê Gestor, que ajustam prazos com frequência.
Equipe, sistema e rotina financeira
O plano de ação não é só tributário. A equipe de recepção, de faturamento e de financeiro precisa saber o que muda. A recepção explica o preço ao paciente. O faturamento emite a nota correta. O financeiro projeta o caixa.
Por isso, programe treinamentos curtos em 2026 e 2027. Além disso, atualize o sistema sempre que a regra mudar. Defina um responsável interno pelo tema, ou um contato fixo no escritório contábil. Assim, as dúvidas chegam rápido a quem decide.
Erros comuns ao seguir o cronograma da reforma tributária
O primeiro erro é esperar 2029 para agir. O segundo é presumir que 2027 não muda nada, porque o ISS segue em vigor. Em seguida, muitas clínicas esquecem de revisar contratos antes do primeiro salto de carga.
Por outro lado, há quem repasse tudo ao paciente de uma vez e perca volume. Além disso, alguns tratam todos os procedimentos da mesma forma. Por fim, outros ignoram os créditos de fornecedores. Portanto, monte um calendário próprio e peça ao contador uma simulação anual.
Como preparar a clínica em quatro passos
Como reforça Luiz Rainato, diretor da R2 Saúde Contábil, a clínica que planeja ano a ano chega a 2033 com margem e sem surpresa. Primeiro, monte uma linha do tempo própria, com as datas de sistema, regime e contratos. Em seguida, calcule a carga de cada ano.
Depois disso, defina as ações por ano, com responsável e prazo. Na sequência, revise a tabela de preços e os contratos antes de cada salto. Por fim, reavalie o plano a cada semestre, porque as regras ainda recebem ajustes.
Perguntas frequentes sobre o cronograma da reforma tributária
Quando o ISS acaba para as clínicas?
O ISS cai a partir de 2029, para 90% da alíquota original, e deixa de existir em 2033. Entre esses anos, a redução segue de 10 em 10 pontos, segundo a Taxcel.
O que muda para a clínica em 2027?
A CBS passa a valer em alíquota cheia, e PIS e Cofins saem. O ISS continua. O split payment fica opcional entre empresas.
Qual alíquota devo usar no planejamento?
Use cerca de 10,6% como cenário de chegada, que vem da redução de 60% sobre a referência de 26,5%. A alíquota definitiva depende de regulamentação.
O Simples Nacional acaba com a reforma?
Não. O Simples continua, com uma opção híbrida para quem quiser gerar crédito. Simule os cenários a cada ano.
Quando devo renegociar contratos com convênios?
Antes do primeiro salto de carga, ou seja, entre 2027 e 2028. A negociação anual com operadoras termina em 31 de março, segundo o CFM.
Sua clínica já tem um plano até 2033?
Quem atende vive a rotina da agenda cheia. Por isso, o planejamento de longo prazo costuma ficar para depois. Sem preparo, porém, a margem encolhe, o convênio não acompanha e o crédito se perde.
A R2 Saúde Contábil acompanha a regulamentação da Reforma Tributária para clínicas, consultórios e profissionais da saúde. Assim, ajudamos o setor a simular a carga, planejar cada ano e organizar a transição.
Fale com a R2 Saúde Contábil e monte o cronograma da reforma tributária da sua clínica.
Luiz Rainato





