O estúdio de pilates e a clínica de fisioterapia parecem o mesmo negócio para o aluno, mas o fisco os enxerga de formas diferentes. Um oferece condicionamento físico. O outro presta serviço de saúde. Com a reforma tributária, essa diferença deixa de ser detalhe de cadastro e vira diferença de alíquota. Por isso, o CNAE, o código do serviço e a forma de emitir a nota passam a valer dinheiro.
Neste guia, você vê como a lei trata a fisioterapia e onde o pilates se encaixa. Também entende o papel do CNAE, do Simples e do Lucro Presumido. Por fim, confere três exemplos numéricos e um plano de preparação.
O que você vai aprender nesse conteúdo:
ToggleEstúdio de pilates: o que já muda em 2026
Em 2026, a CBS roda em fase de teste, com alíquota de 0,9%, e o IBS começa com 0,1%. Esses valores têm caráter informativo. Segundo a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS, quem cumpre as obrigações acessórias não paga nada adicional neste ano.
Mesmo assim, 2026 serve de ensaio. A nota fiscal passa a trazer campos novos, e os sistemas de emissão precisam de ajuste. Empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real preenchem IBS e CBS na NF-e desde 3 de agosto de 2026. Já o Simples Nacional e o MEI entram na obrigação em 4 de janeiro de 2027. Esses prazos vêm de notas técnicas que ainda recebem ajustes, então confirme as datas com o seu sistema de emissão.
IBS e CBS no lugar de ICMS, ISS, PIS e Cofins
A reforma troca cinco tributos por dois. A CBS, federal, ocupa o lugar de PIS e Cofins. O IBS, dividido entre estados e municípios, ocupa o lugar de ICMS e ISS. A Lei Complementar nº 214/2025 fixou as regras gerais dos dois tributos.
A transição segue em etapas. Em 2027, a CBS passa a valer plenamente, e PIS e Cofins saem de cena. Entre 2029 e 2032, o ICMS e o ISS caem aos poucos, enquanto o IBS sobe. Em 2033, o novo sistema opera sozinho. Veja o contexto completo no nosso guia da Reforma Tributária em 2026.
Estúdio de pilates e clínica de fisioterapia: onde está a diferença
A clínica de fisioterapia presta serviço de saúde, regulado pelo conselho profissional. O estúdio de pilates, em regra, vende aulas de condicionamento físico. Na prática, os dois podem usar os mesmos aparelhos e até atender o mesmo aluno. O que muda é o serviço descrito na nota e o profissional responsável.
Essa linha divisória sempre importou para o cadastro. Agora importa para o imposto. A reforma concede redução de alíquota a uma lista de serviços de saúde, e o enquadramento depende do código do serviço. Por isso, quem entra na lista paga bem menos.
Fisioterapia na lista de redução de 60%
Em texto de dezembro de 2025, a Simtax descreve a regra. Os serviços do Anexo III da LC 214 recebem redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS. O enquadramento ocorre pelo código NBS. A fisioterapia aparece no rol, com o código 1.2301.92.00.
Além disso, a mesma fonte afirma que o critério é o código NBS, e não apenas a descrição do serviço. Por isso, a nota precisa trazer o código certo. A Simtax é um blog comercial e não reproduz o anexo, então confirme o rol e os códigos no texto da lei.
E o pilates: a zona cinzenta
Contudo, a página da Simtax não menciona atividades físicas, condicionamento físico ou pilates. Portanto, não dá para afirmar que o estúdio de pilates entra na redução de 60%. A própria fonte indica que atividades sem NBS do Anexo III não têm essa redução.
Já o Money Times descreve, em reportagem de abril de 2024 sobre o projeto de regulamentação, uma faixa de 30% para profissionais de educação física. A reportagem trata de uma proposta, e o texto final pode ser diferente. Por isso, o pilates fica em uma zona cinzenta que exige análise caso a caso.
Estúdio de pilates e o CNAE: 9313-1/00 ou 8650-0/04
O CNAE 8650-0/04 cobre atividades de fisioterapia. Segundo a Omie, em texto atualizado em setembro de 2026, ele engloba reabilitação física, RPG, pilates fisioterapêutico e terapia ocupacional. A fonte indica esse código para clínicas e estúdios que fazem pilates com caráter fisioterapêutico.
O CNAE 9313-1/00 cobre atividades de condicionamento físico. Um fórum de contabilidade, com respostas de 2012 a 2014, cita esse código para estúdios que oferecem apenas pilates. Como a fonte é antiga e informal, confirme o CNAE na tabela oficial antes de decidir.
Por que o CNAE não basta
Em primeiro lugar, o CNAE descreve a atividade da empresa. A reforma, por sua vez, olha o serviço de cada nota. Uma empresa com o CNAE de fisioterapia pode vender aulas de condicionamento sem caráter terapêutico. Nesse caso, a nota não deve usar o código de saúde.
Por outro lado, o inverso também vale. Um estúdio com CNAE de condicionamento pode prestar atendimento fisioterapêutico com profissional habilitado. Se não declarar o serviço correto, perde a redução. Por isso, o cadastro, a nota e a realidade da operação precisam contar a mesma história.
Exemplo prático: a clínica de fisioterapia
Considere uma clínica de fisioterapia que fatura R$ 80.000 por mês, no Lucro Presumido. Hoje, o ISS de 3% e o PIS e a Cofins de 3,65% somam 6,65%, ou R$ 5.320. A receita líquida é de cerca de R$ 74.680.
Suponha alíquota efetiva de 10,6%, calculada “por fora”, com a redução de 60% sobre a referência de 26,5%. O imposto sobre R$ 74.680 seria de cerca de R$ 7.916. Assim, o preço final subiria para cerca de R$ 82.596, um aumento de 3,3%. Os números são hipotéticos e ignoram créditos.
Estúdio de pilates: três cenários de alíquota
Como o pilates está em zona cinzenta, por isso vale simular cenários. No primeiro, o serviço entra na redução de saúde, com 10,6%. Já no segundo, entra em uma faixa de 30%, com cerca de 18,55%. Por fim, o terceiro não tem redução, e a alíquota fica em 26,5%.
Portanto, essas três hipóteses mostram a variação de risco. Elas não indicam qual vale para o seu caso, e servem apenas para planejar. Assim, o dono do estúdio entende quanto a classificação pode pesar e pede ao contador uma análise antes de mexer em preços.
Exemplo prático: o mesmo faturamento, três classificações
Imagine um estúdio de pilates com R$ 80.000 mensais de faturamento, com o imposto incluído no preço. Com 10,6%, o imposto embutido seria de cerca de R$ 7.667. Já a 18,55%, ele seria de cerca de R$ 12.517. Por fim, a 26,5%, chegaria a cerca de R$ 16.759.
A diferença entre o melhor e o pior cenário passa de R$ 9.000 por mês, ou cerca de R$ 109.000 por ano. Por isso, a classificação do serviço é a decisão mais valiosa do estúdio. O exemplo é hipotético e ignora créditos de despesas.
Estúdio de pilates e o Simples Nacional
Por exemplo, muitos estúdios e clínicas pequenas usam o Simples Nacional. Segundo a Omie, o Anexo V começa em 15,5% sobre o faturamento bruto, e o Anexo III começa em 6%. Para ficar no Anexo III, a folha precisa ser igual ou superior a 28% da receita bruta acumulada, pelo Fator R.
Segundo a mesma fonte, fisioterapeutas não podem ser MEI, porque o CREFITO regula a profissão. O fórum antigo de contabilidade afirma que a fisioterapia seria vedada no Simples, mas a Omie, mais recente, trata a fisioterapia como optante. Portanto, confirme sempre a regra vigente com o contador.
Simples híbrido e a reforma
O Simples ganhou uma opção híbrida, na qual a empresa recolhe IBS e CBS fora do DAS. A janela de opção para 2027 foi de 1º a 30 de setembro de 2026. Se você perdeu o prazo, converse com o contador sobre as próximas janelas.
O híbrido compensa quando a clínica atende empresas ou convênios que usam crédito. Já o estúdio que atende só alunos pessoa física ganha menos. Como o aluno não usa crédito, o benefício vem só do lado das compras. Portanto, simule os dois cenários antes de decidir.
Lucro Presumido e a presunção de 8% e 12%
No Lucro Presumido, a fisioterapia pode ter presunção menor. Segundo o Tributo Devido, a empresa que cumpre os requisitos usa presunção de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. Quem não cumpre usa presunção de 32%.
Os requisitos incluem ser sociedade empresária, ter registro na Junta Comercial e ter infraestrutura conforme a RDC Anvisa 50/2002. A empresa também precisa do alvará sanitário. O estúdio de pilates sem caráter de saúde não deve contar com esse benefício. Por isso, segregue as receitas com cuidado.
Estúdio de pilates e clínica no mesmo CNPJ
Muitos negócios combinam pilates e fisioterapia no mesmo espaço. Nesse caso, a regra de ouro é segregar. A receita de cada atividade deve ter nota própria, com o código certo, e contabilidade separada.
Assim, sem segregação, o fisco tende a aplicar a regra menos favorável a toda a receita. Em contrapartida, a segregação documenta o que é saúde e o que é condicionamento. Isso protege a redução da parte de saúde. Além disso, facilita o cálculo de créditos e de presunção.
Exemplo prático: o negócio misto
Considere um negócio com R$ 100.000 de faturamento mensal, com 30% de fisioterapia e 70% de pilates. Suponha 10,6% para a fisioterapia e 18,55% para o pilates, ambos “por fora”. O imposto embutido seria de cerca de R$ 2.875 na fisioterapia e de cerca de R$ 10.953 no pilates. O total chegaria a cerca de R$ 13.828.
Se o negócio não segregasse e tudo fosse tratado como pilates, o imposto seria de cerca de R$ 15.647. A segregação economiza cerca de R$ 1.819 por mês. O exemplo é hipotético e supõe que o pilates caia na faixa de 30%.
Profissional responsável e conselho
Primeiro, a fisioterapia exige profissional registrado no CREFITO. O pilates pode ter instrutor de educação física, registrado no CREF, ou fisioterapeuta. A reforma ainda não deixou claro como o profissional influencia a alíquota do estúdio.
Por isso, registre quem presta cada serviço. Inclua o número do conselho, o tipo de atendimento e o local. Essa documentação ajuda a sustentar a classificação da nota. Além disso, protege a clínica em caso de fiscalização, porque mostra a coerência entre a atividade e o profissional.
Alvará, Anvisa e a estrutura física
Em seguida, a estrutura física pesa no Lucro Presumido e na imagem fiscal. Segundo o Tributo Devido, o alvará sanitário é o documento que comprova a infraestrutura conforme a RDC 50. Sem ele, a presunção menor fica em risco.
Para o estúdio de pilates, o alvará de funcionamento também importa, mas o foco é diferente. Mantenha os documentos em dia e arquive laudos e vistorias. Assim, a empresa responde com agilidade se a prefeitura ou a Receita pedir comprovação.
Estúdio de pilates e o split payment
O split payment começa em 2027. Nele, o imposto sai do pagamento no momento da transação e segue direto ao governo. Em um primeiro momento, o mecanismo tende a ser facultativo e apenas entre empresas. A regra para o consumidor final ainda depende de regulamentação.
Para estúdios com mensalidades no cartão ou no Pix, o efeito no caixa será relevante se o mecanismo alcançar o consumidor final. Hoje, o imposto fica no caixa até o vencimento e funciona como capital de giro. Portanto, planeje o fluxo de caixa com antecedência.
Preço e reajuste das mensalidades
Além disso, a mudança de imposto também mexe no preço. Para a fisioterapia, o salto tende a ser de cerca de 3% sobre o preço atual, no exemplo da clínica. Para o pilates, pode ser maior, dependendo da faixa.
Por isso, revise a tabela antes de 2027. Calcule a receita líquida de cada serviço, aplique a alíquota-cenário e compare com o mercado. Em seguida, defina como comunicar o reajuste ao aluno. Um ajuste claro e único irrita menos do que vários pequenos.
Erros comuns no enquadramento do estúdio de pilates
O primeiro erro é presumir que o CNAE de fisioterapia dá o desconto a todo o negócio. O segundo é emitir nota de saúde para aula de condicionamento. Em seguida, muitos estúdios misturam receitas e perdem a prova de cada atividade.
Por outro lado, há quem espere a regra final para classificar o serviço. Além disso, alguns confiam em fóruns e blogs antigos. Por fim, outros esquecem de checar o código NBS na nota. Portanto, peça ao contador uma classificação por serviço, com base no texto da lei.
Como preparar o estúdio ou a clínica em quatro passos
Como reforça Luiz Rainato, diretor da R2 Saúde Contábil, quem classifica o serviço antes da regra final protege a margem e evita autuação. Primeiro, liste cada serviço que o negócio presta, com o profissional responsável. Em seguida, confirme o CNAE e o código de cada serviço.
Depois disso, segregue as receitas por atividade, com nota própria. Na sequência, simule a carga de 2027 em três cenários de alíquota. Por fim, converse com o contador sobre Simples, híbrido ou Lucro Presumido, e atualize a tabela de preços.
Perguntas frequentes sobre estúdio de pilates e fisioterapia
A fisioterapia tem redução de 60% na reforma?
Segundo a Simtax, sim. A fisioterapia consta no Anexo III da LC 214, com o código NBS 1.2301.92.00. Confirme o rol no texto da lei.
O estúdio de pilates também tem redução?
Não há confirmação nas fontes consultadas. O pilates pode ficar sem redução ou entrar em outra faixa, e a análise depende do serviço e do profissional.
Qual CNAE devo usar?
O CNAE 8650-0/04 cobre fisioterapia, inclusive o pilates fisioterapêutico, segundo a Omie. O 9313-1/00 cobre condicionamento físico. Confirme na tabela oficial.
Posso ter pilates e fisioterapia no mesmo CNPJ?
Pode, mas segregue as receitas, com notas e códigos próprios. Sem segregação, o fisco pode aplicar a regra menos favorável.
Fisioterapeuta pode ser MEI?
Não, segundo a Omie, porque o CREFITO regula a profissão. Confirme a regra vigente com o contador.
Seu negócio está pronto para a Reforma Tributária?
Quem atende vive a rotina da agenda cheia. Por isso, a classificação fiscal costuma ficar para depois. Sem preparo, porém, a redução se perde, a nota sai errada e a margem encolhe.
A R2 Saúde Contábil acompanha a regulamentação da Reforma Tributária para clínicas, estúdios e profissionais da saúde. Assim, ajudamos o setor a classificar serviços, simular a carga e organizar a transição.
Fale com a R2 Saúde Contábil e entenda como a reforma vai afetar o seu estúdio de pilates ou a sua clínica.
Luiz Rainato





