O personal trainer no Simples não precisa fazer nada para continuar nele em 2027. Se ficar parado, o IBS e a CBS entram dentro do DAS. Já quem quer pagar esses tributos por fora, no regime regular, precisa agir até 30 de outubro de 2026. Por isso, a decisão tem prazo curto e pede conta, e não palpite. Na maioria dos casos, o ganho da migração é pequeno.
Neste guia, você vê o calendário das opções, a diferença de crédito para o cliente empresa e o que não muda no Fator R. Também confere três exemplos numéricos, os erros mais comuns e um plano em cinco passos.
O que você vai aprender nesse conteúdo:
ToggleO que muda para o personal trainer no Simples em 2027
Segundo o ValorFinal, em guia atualizado em 29 de setembro de 2026, o DAS não muda em 2026. Em 2027, a CBS entra no DAS no lugar do PIS e da Cofins, e o IBS entra com uma fatia pequena. As alíquotas nominais das faixas continuam as mesmas.
Na prática, o que muda é a divisão interna do DAS. Sem nenhuma escolha, o IBS e a CBS ficam dentro dele. Ou seja, para o personal trainer no Simples que atende alunos e não quer mudar, a rotina de pagamento segue a mesma.
Além disso, o regime tem outras mudanças. O ValorFinal cita o fim do regime de caixa. Cita também o limite de R$ 3,6 milhões, que passa a valer para ICMS, ISS e IBS. Essas mudanças afetam mais quem cresce, mas todo mundo deve conhecê-las.
Os prazos que decidem a vida do personal trainer no Simples
Primeiro, a decisão tem calendário. Segundo o NetCPA, a Resolução CGSN nº 194/2026 saiu no Diário Oficial da União em 28 de setembro de 2026. A opção pelo Simples para 2027 vai até 15 de outubro, e as pendências podem ser regularizadas até 30 de outubro.
A opção pelo regime regular de IBS e CBS, no primeiro semestre de 2027, vai de 1º de setembro a 30 de outubro. O cancelamento fica aberto de 3 de novembro a 20 de dezembro. Segundo o ValorFinal, a escolha é semestral. Para o segundo semestre, a janela vai de 1º a 31 de março de 2027.
Portanto, quem já está no Simples tem até 30 de outubro para decidir se paga IBS e CBS por fora. Assim, hoje é 14 de outubro, e restam duas semanas. Quem deixa para depois cai na regra padrão e só muda no semestre seguinte.
Como o crédito do cliente empresa muda a conversa
Em resumo, o ponto central é o crédito. Quem compra de uma empresa do regime regular aproveita todo o IBS e a CBS destacados na nota. Já quem compra de uma empresa do Simples aproveita só a fatia que está no DAS.
Segundo o ValorFinal, essa fatia é pequena. No guia, o crédito do cliente é de 0,62% do valor da venda no comércio, na primeira faixa. Em serviços do Anexo III, na terceira faixa, é de 1,75%. Já no regime regular, o cliente credita o valor cheio.
Por isso, a migração só faz sentido quando o cliente empresa pesa na carteira. Academias, condomínios e empresas que oferecem benefício aos funcionários podem valorizar o crédito. Alunos pessoa física não usam crédito nenhum, então para eles a migração não ajuda.
Exemplo prático 1: o personal com alunos pessoa física
Veja um caso hipotético, só para ilustrar. Um personal trainer fatura R$ 20.000 por mês, todos pagos por alunos pessoa física, com o imposto incluído no preço. Ele está no Anexo III, na segunda faixa, com alíquota efetiva de 7,3% no DAS, ou R$ 1.460 por mês.
Suponha que a fatia de IBS e CBS dentro do DAS seja de 1,21% do preço. Essa fatia é hipótese, pois a divisão real varia por faixa. No regime regular, a CBS seria de 9% e o IBS de 0,1%. Assim, o preço de R$ 20.000 teria uma base de R$ 18.331,81 e R$ 1.668,19 de IBS e CBS. O DAS restante seria de R$ 1.116,41.
O total sobe para R$ 2.784,60, contra R$ 1.460. Com R$ 3.000 de compras com crédito, o personal recupera cerca de R$ 250 e a diferença cai para R$ 1.074 por mês. Em um ano, isso passa de R$ 12.800 a favor do Simples. Portanto, para alunos pessoa física, a resposta é ficar.
Exemplo prático 2: o contrato com uma academia
Agora imagine que o cliente é uma academia do regime regular, que aceita um custo líquido de R$ 10.000 por mês depois do crédito. No DAS, o personal cobra cerca de R$ 10.122, e a academia credita R$ 122. No regime regular, ele cobra R$ 10.910, e a academia credita os R$ 910 por inteiro.
Do lado do personal, porém, o ganho aparece só nas compras. Sem compras, ele fica com R$ 9.391 no regime regular, contra R$ 9.383,54 no DAS, uma diferença de R$ 7,46. Com R$ 1.500 por mês em compras com imposto destacado, a diferença sobe para R$ 132,57.
Portanto, mesmo com a academia pedindo crédito, o benefício para o personal é pequeno. Os números são hipotéticos e dependem da alíquota final da CBS. O ValorFinal mostra um resultado parecido para uma consultoria maior, com R$ 50 mil de faturamento. Sem compras, o regime regular rende cerca de R$ 78 a menos. Com R$ 5 mil de compras, rende cerca de R$ 533 a mais.
Por que o ganho do regime regular costuma ser pequeno para o personal
Na verdade, a conta tem uma lógica simples. Na migração, o cliente empresa ganha crédito, mas o personal paga o imposto por fora e recebe esse valor de volta no preço. O que sobra para ele é, basicamente, o crédito das próprias compras.
Além disso, o personal compra pouco. Os custos típicos são aluguel de espaço, equipamentos, software e deslocamento. Como a atividade usa mais tempo do que insumos, o crédito é baixo. Dessa forma, a migração rende pouco, e ainda traz obrigações extras.
Por outro lado, a migração pode ajudar a fechar contrato. Uma academia que valoriza crédito pode preferir o fornecedor do regime regular. Nesse caso, o ganho vem do contrato, e não do imposto. É uma decisão comercial, e a conta serve para saber o custo dela.
Como negociar o crédito com a academia sem perder o contrato
O crédito vira argumento de negociação. No segundo exemplo, a academia credita R$ 122 se o personal fica no DAS e R$ 910 se ele migra. A diferença é de R$ 788 por mês para o cliente. Por isso, a academia pode pedir desconto ou preferir outro fornecedor.
Do outro lado, o personal tem um custo para migrar, que é o imposto por fora e as obrigações extras. Se o ganho do cliente superar esse custo, existe espaço para um acordo. Nesse caso, o personal pode repassar parte do valor no preço e manter a margem.
Assim, o personal trainer no Simples deve conversar com o cliente antes de decidir. Pergunte se ele realmente usa o crédito e quanto valoriza o fornecedor do regime regular. Com a resposta em mãos, a conta fica concreta, e a decisão deixa de ser um palpite.
O Fator R continua mandando no personal trainer no Simples
Contudo, nada disso muda o papel do Fator R. Segundo a Contabilidade.com, em texto de 8 de julho de 2026, o Anexo III começa em 6%. Isso vale quando o Fator R é de 28% ou mais. Abaixo disso, o enquadramento tende ao Anexo V, com início em 15,5%.
A mesma fonte simula um faturamento de R$ 10.000 por mês. No Anexo V, o DAS seria de cerca de R$ 1.550. No Anexo III, seria de cerca de R$ 600. Para atingir o Fator R, o pró-labore teria de ser de R$ 2.800. O texto lembra que INSS e imposto de renda também entram na conta.
Portanto, antes de pensar em regime regular, confira o anexo. A economia do Fator R costuma ser muito maior do que o ganho de crédito. Para muitos personals, a primeira decisão é o pró-labore, e a segunda é o regime. Em outras palavras, o personal trainer no Simples ganha mais ajustando o anexo do que migrando.
Exemplo prático 3: o fim do regime de caixa
Veja, em seguida, outra mudança de 2027. Segundo o ValorFinal, o DAS passa a considerar a receita do mês, e o regime de caixa acaba. Hoje, muitos optantes pagam o imposto apenas quando recebem.
Considere um personal que emite nota de R$ 20.000 em dezembro para uma empresa que paga em janeiro. Com o DAS efetivo de 7,3%, são R$ 1.460. No regime de caixa, o imposto sairia em janeiro. No novo modelo, sairia antes, com base no mês da receita.
Em um mês isolado, a antecipação é de um período de pagamento. Contudo, quem tem contratos com prazo longo sente mais. Os valores são hipotéticos, e a regra exata deve ser confirmada na resolução. O ponto é planejar o caixa, pois o imposto passa a pesar antes do dinheiro entrar.
Nota fiscal: o que o personal trainer no Simples precisa preparar
Além disso, a nota também muda. Segundo o ValorFinal, a exigência da NFS-e nacional começa em 1º de novembro de 2026. Já o Portal da Reforma Tributária indica que os optantes do Simples seguem a regra em 1º de janeiro de 2027.
O Nota Gateway registra que a rejeição automática das notas sem o grupo de IBS e CBS foi suspensa, sem nova data. Contudo, a obrigação de destacar continua valendo. Portanto, vale preparar o sistema de emissão desde já. Para o personal trainer no Simples, isso significa testar a nota ainda em 2026, enquanto o erro não custa nada.
Ainda assim, muitos personals emitem nota só quando o cliente pede. Com a reforma, o documento ganha peso, pois carrega o imposto que gera crédito. Por isso, organize o cadastro do serviço, teste a emissão e arquive os documentos. Dessa forma, a virada de 2027 acontece sem sustos.
A redução de 30% e o personal trainer no Simples
Há uma dúvida sobre a redução de alíquota. Segundo o Money Times, em reportagem de abril de 2024, profissionais de educação física aparecem em uma faixa de 30% de redução. A reportagem descreve o projeto de regulamentação, e o texto final pode ser diferente.
Por exemplo, se a redução valer para o serviço do personal, a alíquota do regime regular cai. Isso diminui o imposto por fora, mas também diminui o crédito do cliente. Assim, o equilíbrio da conta muda pouco, e a conclusão do ganho pequeno se mantém.
Portanto, trate a redução como cenário e confirme o enquadramento na LC 214. Não decida a migração contando com um benefício que ainda precisa de confirmação.
A visão de Luiz Rainato sobre o regime do personal
Para Luiz Rainato, diretor e fundador da R2 Saúde Contábil, o profissional que decide o regime com números protege a margem. Segundo ele, o erro mais comum é migrar porque ouviu falar de crédito, sem olhar a própria carteira.
Ele reforça que o primeiro passo é separar a receita de alunos pessoa física da de empresas. Em geral, essa divisão responde a maior parte da pergunta. Quem atende só pessoas físicas tende a ficar no Simples. Quem atende academias e empresas deve simular.
Indicadores para acompanhar a decisão
Para decidir com dados, acompanhe poucos números. O primeiro é o percentual da receita vindo de empresas que usam crédito. Em seguida, olhe o valor das compras com imposto destacado, pois elas definem o crédito do próprio personal.
Depois, acompanhe o Fator R dos últimos 12 meses e a projeção do próximo ano. Por fim, observe o prazo de pagamento dos contratos, que afeta o caixa com o fim do regime de caixa. Em geral, esses quatro números respondem quase tudo.
Erros comuns do personal trainer no Simples
O primeiro erro é migrar sem simular. O crédito do cliente parece atraente, mas o custo das obrigações extras pode comer o ganho. Outro erro é ignorar o Fator R e pagar o Anexo V sem necessidade.
Também é comum esquecer o prazo. Quem não escolhe até 30 de outubro permanece com o IBS e a CBS no DAS e só muda no semestre seguinte. Além disso, muitos tratam o cancelamento como reversível, quando ele é irretratável.
Por fim, alguns tentam ser MEI. Segundo a Contabilidade.com, o personal trainer, em regra, não pode ser MEI. A atividade exige registro no CREF, e o caminho é a microempresa no Simples.
Plano em cinco passos para o personal trainer no Simples
Primeiro, separe a receita dos últimos 12 meses entre alunos pessoa física e empresas. Em seguida, calcule o Fator R e confirme o anexo atual. Dessa forma, você enxerga o ponto de partida. Além disso, anote o prazo de pagamento de cada contrato.
Depois, liste as compras com imposto destacado, pois elas definem o ganho do regime regular. Em seguida, peça ao contador uma simulação com a sua carteira real, antes de 30 de outubro. Por fim, se mantiver o Simples, prepare a nota e o caixa para 2027.
Perguntas frequentes sobre o personal trainer no Simples
O personal trainer no Simples precisa fazer algo para continuar em 2027?
Não. Sem nenhuma escolha, o IBS e a CBS ficam dentro do DAS. A decisão só é necessária para quem quer o regime regular de IBS e CBS.
Até quando posso optar pelo regime regular?
Até 30 de outubro de 2026, para o primeiro semestre de 2027. Para o segundo semestre, a janela vai de 1º a 31 de março de 2027.
Vale migrar se meus alunos são pessoas físicas?
Em geral, não. Alunos pessoa física não aproveitam crédito, e o regime regular tende a custar mais para o personal.
E se meu cliente for uma academia?
Aí vale simular. A academia aproveita o crédito cheio no regime regular e só uma fatia pequena no DAS. O ganho do personal, porém, costuma ser pequeno.
Você já decidiu o regime para 2027?
Quem treina alunos vive o ritmo da agenda cheia. Por isso, a decisão de regime costuma ficar para depois. Sem preparo, porém, o prazo de 30 de outubro passa e a escolha é feita por omissão.
A R2 Saúde Contábil acompanha a regulamentação da Reforma Tributária para profissionais da saúde e do bem-estar. Assim, ajudamos você a comparar regimes, simular a carga e organizar a nota. Veja também o nosso guia da Reforma Tributária em 2026.
Fale com a R2 Saúde Contábil e simule hoje o melhor regime para o seu trabalho.
Jose Silva





